O caso que resultou no afastamento do pastor Sales Batista da presidência da Assembleia de Deus Missão em Marabá passou a revelar desdobramentos ainda mais delicados. Com o avanço das apurações internas, o foco das atenções deixou de estar apenas na conduta do líder religioso e passou a recair sobre seu filho, Kennedy Salles, apontado por pessoas ligadas à própria igreja como figura central em uma articulação para assumir o controle institucional e patrimonial da família e da denominação.

De acordo com relatos considerados confiáveis por membros da liderança da Assembleia de Deus, Kennedy teria agido de forma calculada ao longo do relacionamento extraconjugal envolvendo seu pai e sua esposa, Luciana Salles. As informações indicam que ele não apenas tinha conhecimento da relação, como teria se mantido conivente com a situação, enxergando nela uma oportunidade para enfraquecer a imagem e a autoridade do pai dentro da igreja e no âmbito familiar.

As investigações internas sugerem que o principal objetivo seria retirar de Raquel Viegas, mãe de Kennedy, o controle sobre os bens da família, estimados internamente como estando majoritariamente sob sua administração. Paralelamente, a intenção seria esvaziar o poder do pai, já bastante fragilizado após a exposição do escândalo no meio religioso.

Segundo as apurações, o plano atribuído a Kennedy alcançaria um nível extremo de gravidade, envolvendo a intenção de eliminar a própria mãe e direcionar a responsabilidade pelo crime ao pai, consolidando assim a tomada total do patrimônio e da estrutura de poder familiar e institucional.