A decisão tomada pelo pastor Samuel Câmara, presidente da CADB, provocou forte repercussão entre membros da Assembleia de Deus na capital paraense e expôs um debate sensível sobre gestão, transparência e uso de patrimônio religioso em um momento de grande visibilidade internacional. A retirada do pastor Marcelo Campelo da liderança da AD Doca não foi recebida com tranquilidade por parte da congregação. Inconformados, fiéis se mobilizaram, manifestando publicamente descontentamento com a mudança e com a forma como ela foi conduzida.

O episódio ganhou contornos ainda mais complexos porque Marcelo Campelo vinha se destacando como uma das vozes mais críticas dentro da própria igreja ao questionar o uso do Centenário Centro de Convenções durante a realização da COP30, encontro climático promovido pela ONU. Segundo relatos do próprio pastor, o espaço, que pertence ao patrimônio ligado à igreja, foi alugado ao governo por cerca de R$ 2 milhões para ser utilizado em eventos religiosos e culturais paralelos à conferência.

Nas redes sociais, Marcelo Campelo afirmou que decidiu “dar a cara a tapa” ao levantar questionamentos que, segundo ele, muitos evitavam fazer. O ponto central de sua crítica foi a transparência na gestão dos ativos da igreja durante um evento de tamanha relevância internacional. O pastor alegou que o valor pago se referia a apenas cinco dias de uso do Centenário Centro de Convenções, o que, em sua avaliação, exigiria explicações mais claras aos fiéis sobre critérios, contratos e destinação dos recursos envolvidos.

O Centenário Centro de Convenções, tradicionalmente associado a grandes encontros religiosos, passou a ser visto, nesse contexto, como um espaço estratégico durante a COP30, não apenas pela localização, mas pela capacidade de receber programações paralelas que misturam fé, cultura e debates sociais. Para alguns líderes, a utilização do local durante o evento climático representa uma oportunidade de visibilidade e diálogo com temas globais. Para outros, como Marcelo Campelo e parte dos membros da AD Doca, o uso do espaço levanta dúvidas sobre limites entre missão religiosa, interesses institucionais e relações com o poder público.

A retirada de Campelo da liderança foi interpretada por seus apoiadores como uma resposta direta às críticas feitas por ele. Já setores ligados à direção da convenção sustentam que a decisão faz parte de uma reorganização interna e que segue normas administrativas da denominação. Ainda assim, o clima de tensão ficou evidente nas manifestações de fiéis que não aceitaram passivamente a mudança e passaram a cobrar mais diálogo e clareza.