A senadora Damares Alves afirmou neste domingo que a CPMI do INSS, responsável por investigar fraudes envolvendo benefícios previdenciários, tem enfrentado pressões constantes que tentam dificultar o avanço das apurações. Segundo a parlamentar, essas tentativas de interferência estariam ligadas à identificação de líderes religiosos influentes e de grandes igrejas supostamente envolvidas em esquemas de desvio de recursos que teriam atingido aposentados.
Em entrevista concedida ao SBT News, Damares relatou que, à medida que nomes conhecidos do meio religioso passam a aparecer nas investigações, surgem esforços para frear ou silenciar o aprofundamento dos casos. De acordo com a senadora, há integrantes de comunidades religiosas que pedem para que determinadas apurações não avancem, sob o argumento de que a exposição dos fatos poderia causar frustração e abalo emocional entre os fiéis.
A parlamentar, que integra a comissão, afirmou ainda que a CPMI tem sido alvo de lobbies contrários ao prosseguimento dos trabalhos. Apesar disso, ela destacou que os resultados obtidos até agora têm superado as expectativas iniciais. Segundo Damares, a comissão vem alcançando setores e estruturas que, no início das investigações, ela mesma não imaginava que seriam atingidos.
Durante a entrevista, a senadora ressaltou que o trabalho desenvolvido pela CPMI representa um novo momento para as comissões parlamentares de inquérito no Brasil. Na avaliação dela, as investigações não estão limitadas a um único grupo político ou ideológico e devem resultar em entregas relevantes, envolvendo diferentes governos e correntes políticas.
As declarações reacendem o debate sobre a relação entre fé, poder e responsabilidade institucional, especialmente quando denúncias atingem figuras públicas ligadas ao meio religioso. Enquanto a CPMI segue com os trabalhos, a expectativa é de que os próximos relatórios tragam novos desdobramentos sobre os esquemas investigados no âmbito do INSS, ampliando o alcance das apurações e suas possíveis consequências.