O apóstolo Valdemiro Santiago, fundador da Igreja Mundial do Poder de Deus, anunciou nos últimos dias uma nova mobilização financeira que promete movimentar milhões de reais dentro da denominação. A proposta, apresentada como um “desafio de fé”, convoca pelo menos 30 mil fiéis em todo o país a contribuírem com uma oferta individual no valor de R$ 153,00, o que pode resultar em uma arrecadação superior a R$ 4 milhões.
Segundo a liderança da igreja, o valor não foi escolhido ao acaso. Valdemiro associou a campanha a um episódio bíblico conhecido como a “pesca maravilhosa”, narrado nas Escrituras, em que os discípulos de Jesus recolheram exatamente 153 grandes peixes após seguirem uma orientação divina. A interpretação apresentada é de que o número simboliza abundância, provisão e prosperidade, e que a entrega da oferta funcionaria como um voto espiritual para marcar o início de 2026 sob bênçãos financeiras.
A campanha tem data definida para acontecer. De acordo com o apóstolo, o compromisso deve ser cumprido no próximo domingo, 4 de janeiro, apontado por ele como o primeiro grande ato profético do ano dentro da igreja. Em suas falas, Valdemiro foi enfático ao estabelecer um quórum mínimo para a iniciativa. “Estou chamando aí pelo menos trinta mil pessoas no Brasil inteiro”, declarou, reforçando o alcance nacional da mobilização.
Nos bastidores, porém, a iniciativa desperta diferentes leituras. Enquanto parte dos fiéis enxerga o gesto como um exercício de fé e obediência espiritual, críticos e observadores externos levantam questionamentos sobre o destino dos recursos. Há quem associe a escolha da data ao período de fechamento de contas da instituição, embora essa ligação não tenha sido confirmada oficialmente. Também voltam à tona processos judiciais antigos, nos quais proprietários de imóveis relatam pendências financeiras envolvendo aluguéis de templos, ações que se arrastam há anos na Justiça.
Valdemiro, por sua vez, rebate desconfianças ao afirmar que campanhas desse tipo fazem parte da história da igreja, que completa mais de duas décadas de atuação. Ele costuma relacionar as contribuições feitas pelos membros a testemunhos de crescimento espiritual e conquistas materiais, argumento recorrente em suas pregações. Para o apóstolo, a oferta não deve ser vista como uma simples arrecadação, mas como um ato de fé capaz de gerar resultados na vida pessoal dos participantes.
A nova campanha, como outras já realizadas pela denominação, reacende o debate sobre os limites entre fé, contribuição voluntária e gestão financeira dentro das grandes igrejas neopentecostais.